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domingo, 6 de janeiro de 2019

Análise: A Revolução dos Bichos, a necessidade de ler em tempos atuais


Minha colcha de cama está sendo um ótimo fundo para cenário kkkk

Primeira leitura do ano concluída com muito sucesso, começamos o ano com um olhar bem reflexivo sobre a sociedade, mas acredito ser primordial para o momento que estamos vivendo. Primeiramente é preciso dizer, não é uma leitura fácil por ser chocante demais com a realidade, porém é completamente precisa para a vida, uma literatura fundamental.
Eu já havia lido este livro na escola por volta dos meus catorze/ quinze anos, mas achei fundamental ler outra vez para captar aquilo que não havia sido entendido anteriormente ou ter uma nova visão a partir da segunda leitura, como George Orwell está na minha lista de autores ingleses fundamentais para se ler, não achei melhor oportunidade e aqui estamos.

O enredo basicamente conta a história de um grupo de animais que, cansados das explorações causadas pelo seu sono e fomentados pelas palavras de um ancião da fazenda, organizam uma rebelião e tomam a fazendo para si a fim de terem liberdade, instituindo um novo sistema igualitário e de cooperação, denominado Animalismo. Esta sociedade consistia em certos mandamentos que colocavam os animais em uma posição de aversão ao ser humano devido toda a exploração que sofreram ao longo da vida, além disso, fornecia direitos iguais a todos os animais e garantia suas liberdades, temos como exemplo o último mandamento no Animalismo que consistia em dizer “Todos os animais são iguais”. Todavia, aos poucos, os animais mais inteligentes que no caso eram os porcos, começaram a usufruir de privilégios, restituindo os direitos dos outros e logo implantando um sistema de tirania cujo era movido pela total opressão, silenciosamente os direitos dos outros animais foram tirados e os mandamentos modificados, como por exemplo “Todos os animais são iguais, mais uns são mais iguais que os outros”.

Contudo, é necessário nos situarmos do contexto no qual esta obra foi escrita e tudo que ela representa. Claramente, vemos o enredo como uma alegoria a Revolução Russa e a ditadura stalinista que ali se instalou pós revolução. Vemos na figura do ancião, o porco Major, uma figura das teorias que fomentaram a revolução como o Marxismo e o Comunismo, temos Major como a figura de Lenin enquanto os dois outros porcos que o substituíram após sua morte, temos a visão de Trotsky e Stalin, o porco Bola de neve, mais preocupado com a sociedade, muito mais próximo ao povo e que drasticamente é estigmatizado como vilão a ponto de ter que fugir da perseguição poderia simbolizar Trotsky, enquanto Stalin é visto na figura do porco Napoleão, que já tinha maior conhecimento do poderio militar, muito mais enérgico e que aos poucos foi instalando um sistema tirano em cima do que já havia sido posto. Quanto aos animais, vemos a figura do povo que apoiou o sistema com o sonho de ter melhorias e voltou novamente ser escravizado, o desejo de melhoria e liberdade nunca foi completamente ocorrido uma vez que novamente foram perdidos os direitos além de serem os que mais sofreram durante tal regime.

Mesmo com o fim do regime comunista, ainda este livro se faz muito necessário aos dias de hoje além de trazer discussões sobre nosso mundo atual, é preciso enxergar que em qualquer ideologia política, ou qualquer regime, haverá sempre aqueles que serão privilegiados e aqueles que mais serão afetados com a tirania. Atualmente estamos passando por um ano de começo de mandato presidencial e que está gerando muitas críticas e incertezas no país, é necessário sabermos em qual lado estarmos, daqueles que aceitam as mudanças sem questionamento ou aqueles que enxergam e opinam sobre os rumos que o país levará. Uma dica, aqueles que não questionam e relevam os fatos, são os primeiros a serem silenciados.

“De certa maneira, era como se a granja tivesse ficado rica sem que nenhum animal houvesse enriquecido – exceto, é claro, os porcos. ” (Pág. 102).

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Dezembro é o mês da Jane Austen e então decidi ler Emma





Dia 16 de dezembro de 1775, nascia uma das autoras inglesas mais influentes da sua época e que até hoje inspira e motiva muitos escritores e, assim como eu, leitores também. É difícil falar sobre ela aqui no blog, pois sou uma admiradora assídua de sua obra e quanto mais amamos um certo escritor, mais árduo é nosso trabalho de exaltá-lo, não existe palavras o suficiente para descrever minha afeição por Jane Austen e para nunca esquecer das suas obras, decidi que todo mês de dezembro eu lerei algum romance seu, mesmo que eu tenha lido outros ao decorrer do ano, em dezembro eu lerei Jane Austen e esse ano decidi ler Emma.

Este romance traz as características bem conhecidas de Jane Austen, a história de uma jovem inglesa e o retrato da sociedade cujo ela pertencia, então temos os bailes, passeios e cortes muito em retratados, sem perder o estilo da época e o próprio estilo que Jane Austen é conhecida. Pela primeira frase do livro, já sabemos como Emma realmente é. “Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica. ” Pode soar superficial, mas é aqui que a ironia nata da autora entra em jogo no romance, Emma ao mesmo tempo que se limita a esses atributos torna-se – ouso dizer – a melhor personagem do universo dos romances de Jane Austen.

Sim, Emma de longe é a personagem/protagonista mais completa de Jane Austen, pois ela é um pacote completo de eterno carisma e até uma certa forma de humor. Emma nos envolve na história por sempre possuir aquele caráter puro e cheio de sonhos, que chega a ser ingênuo, mas que é lapidado a cada capítulo. A personagem cresce junto a narrativa, ela é cativante pois passa de fútil a encantadora, ela é engraçada e atrapalhada, mas junto de ti leva um espírito muito forte e convicto, ela conhece seu papel na sociedade e tenta dar um passo à frente.

Quando falamos das heroínas de Jane Austen, até mesmo Elizabeth Bennet possui um caráter mais sóbrio, mesmo sendo muito à frente de seu tempo – darei apenas seu exemplo para não me estender nos outros romances – Emma consegue sobrepor Elizabeth por possuir um carisma único e cativante e podemos dizer que sua condição de não querer se casar durante uma grande parte do livro nos mostra como ela sabia em qual camada social ela pertencia – uma classe alta – e com isso poderia usufruir de tal escolha, de ver o casamento com outros olhos e saber que já possuía dentro da casa de seu pai, um título de dona e que não existia tantas vantagens assim em um casamento perto do que ela já possuía, nos mostrando o quão articulada ela poderia ser. Emma não era fã da literatura, era sociável e nobre, mais uma vez trazendo a ideia de uma heroína muito diferente da outras, podemos dizer que ela é uma das protagonistas mais bem construídas de Jane Austen.

Bem, até agora só falei de Emma e não contei muito do enredo em si, esse livro é uma daquelas obras que possuem um enredo bem simples em vista da complexidade de outros quesitos, como o dos personagens, que possuem personalidades únicas e distintas. Temos a vida de Emma sendo relatada, assim como as pessoas que com ela convive em seu círculo social e Emma possui uma característica, o qual é a mais conhecida pelos leitores, de querer unir casais, algumas vezes com sucesso, como no caso do Sr. e a Sra. Weston, outras vezes não, como na maioria dos casos, mas Emma possuía uma excelente índole e muitas vezes por ingenuidade não percebia as reais intenções das pessoas, ela buscava fazer o bem. Então temos ao decorrer da história inúmeros eventos que geram muita diversão á nós leitores com uma linguagem amena e divertida, mesmo com quase seiscentas páginas o livro não nos cansa.

Outro aspecto muito lindo e importante de salientar é a relação amorosa de Emma e o Sr. Knightley, pois também é um romance diferente dos outros vistos nos romances austenianos, temos aqui uma relação fraternal que foi sendo construída amorosamente. Sr. Knightley é um homem muito mais distante das pessoas, mas que sempre possuiu uma amizade cativante com Emma e que aos poucos foi construindo o romance da história, ambos um com o outro são muito sinceros e verdadeiros e chega a ser belo como ambos descobrem estar apaixonados, acredito que é uma forma bem real de um romance, não possui muitas idealizações ou adereços, simplesmente acontece.

Portanto, podemos concluir que foi uma experiência maravilhosa (na verdade, é uma releitura para mim) que me divertiu e me fez amar cada vez mais as obras de Jane Austen. A ela, sou eternamente grata por cada vez que nos encontramos por meio da leitura, me inspirar e aprimorar tudo o que eu sou, como é incrível ser transformada pela literatura!

Com carinho, Malu, a Traça dos livros.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Análise: Grandes Esperanças



Chega a ser difícil saber por onde começar a análise desta obra, realmente, não é à toa Grandes Esperanças ser considerado o Magnum oppus de Charles Dickens, e nada como começar um desafio literário com um livro que, com certeza, irei levar por toda minha vida.
Ano passado – quase que na mesma época – eu li “Oliver Twist”, um título muito conhecido do autor. Tive impressões muito positivas, mas também muitas dúvidas, pareceu-me que o estilo de Dickens não tinha sido compreendido por mim naquela leitura, mas a vontade de continuar lendo obras dele persistiu e chegou o dia que um novo livro dele surgiu em minha vida. Comecei um novo desafio literário sobre literatura inglesa, para me engajar mais e foi gratificante iniciar com este livro magnífico.

Então vamos a história, o que o autor trabalha sobre todo o arco do romance é a questão da redenção moral, e é a partir disto que discutiremos toda a história. Grandes Esperanças apresenta um narrador contando suas memórias da vida jovem, o narrador conta sua própria trajetória, a trajetória de Pip. Um garoto órfão que vivia em Essex junto de sua irmã mais velha e seu cunhado, um ferreiro, fadado a viver aquela vida dura como aprendiz e tudo começa a se agitar a partir do seu encontro com Magwtich, um fugitivo da prisão cujo Pip presta auxílio. A partir dali grandes expectativas vão rodear o menino.

Pip era um menino muito sofrido e humilde, junto com seu cunhado, Joe Gargery, tinha uma grande amizade e sabia que seguiria a profissão dele. Naquela época, uma mulher começa a pedir os serviços de Pip para entretê-la com uma brincadeira de criança, esta era a Sra. Havisham, uma mulher fina e rica, mas ao mesmo tempo muito complexa e amarga. Com ela, vivia Estella, uma garota que foi agraciada com a adoção e que foi a grande amor de Pip desde o primeiro momento. Todavia, Stella se mostra ser o pior tipo de pessoa, uma menina completamente mesquinha e esnobe, moldada para ser fina e detestável.

Este contato com a fina família da Sra. Havisham começa a despertar muita vergonha de Pip sobre si mesmo e suas condições, por muitos momentos ele é rebaixado e o próprio se coloca nessa posição muitas vezes, assim, começa dentro de si criar um desejo de não seguir o que o destino lhe estava guardado. Eis que grandes esperanças aparecem sobre ele, um senhor anônimo lhe concede sua fortuna para que ele se torne um cavalheiro, assim toda sua antiga vida seria deixada para trás e ele viveria em Londres, com as condições necessárias para se transformar em um ser da elite.

Em Londres, temos a gradativa decadência moral de Pip. Envergonhado pelo seu passado e pelas pessoas que viviam neste passado, a busca de subir na vida que gerou inúmeras dívidas e seu amor completamente despedaçado pela maldosa Estella. Mesmo criando laços com amigos honestos, Pip se vê em Londres completamente perdido, o meio o modifica e temos seus valores colocados a prova e suas esperanças sendo perdidas. Vemos que Dickens colocou o espaço como um fator de corrosão dos personagens, o meio fez eles sucumbirem à degradação, um dos tons críticos do autor que passam despercebidos as vezes.

Já na terceira parte do livro, a redenção começa a ocorrer não apenas com ele, mas com muitos personagens como a Sra. Havisham que percebeu que toda a frieza que criou Stella não levou a nada, nem mesmo sua própria mãe adotiva ela conseguia amar, mas no final conseguiu reconciliar com sua família que tanto criticou. Ou Magwtich, que foi de fugitivo da prisão para trabalhador e pagou seus pendentes a sociedade com sua reconciliação e amor de Pip, que esteve com ele até o último minuto. E além disso, Pip também teve sua redenção, desistindo da vida de cavalheiro, ele se tornou um caixeiro viajante e passou o resto de sua vida viajando pelo mundo, retomou laços com Joe e Biddy, amigos fieis até o fim e que Pip se recusava a enxergar e no final temos o seu reencontro com Estella, uma mulher completamente sofrida e arrependida pelo seu passado, todavia não sendo mais possível a reconciliação dos dois, ambos seguem caminhos diferentes.

Dickens nessa obra, traz o mais íntimo do ser humano em cada personagem e constrói um processo – como já dizemos antes – de redenção moral para cada um deles. Temos personagens completamente humanos, pois possuem sentimentos controversos, divididos entre a ingratidão e bondade, corrompidos e arrependidos pelas escolhas que geram um resultado futuro, mas no caminho da evolução. São questões inerentes ao ser humano e que são muito bem tratadas na narrativa nos causando muitas reflexões e até mesmo identificação, será que a busca movida pela ambição realmente vale a pena? A jornada humana é mesmo muito complexa.

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

20 autores essenciais da língua inglesa, desafio literário



Malu, você não se cansa não? Eu me canso bastante pessoal, mas a leitura as vezes pode ser a melhor forma de descansar e é por isso que estou em mais um desafio literário! A literatura inglesa sempre foi um assunto que me chamou muita atenção e muito dos meus autores favoritos são da Inglaterra (tenho uma paixão particular por esse país), então quis unir o útil ao agradável, buscando alguns dos grandes nomes do cânone inglês e sabendo mais sobre a literatura desse país que tem muito referência.

Através do site “Homo Literatus” selecionei vinte nomes de grandes autores ingleses e vou me propor a ler uma obra de cada um deles, tem nomes que eu não conhecia, outros que eu amo, vai ser divertido demais. Aí vai a lista de nomes:
  • Geoffrey Chaucer
  • Thomas Malory
  • Thomas More
  • William Shakespeare
  • Daniel Defoe
  • Jonathan Swift
  • Samuel Richardson
  • Jane Austen
  • Charles Dickens
  • Irmãs Bromte
  • George Eliot
  • Thomas Hardy
  • Oscar Wilde
  • Henry James
  • Joseph Conrad
  • Virginia Woolf
  • Aldous Huxley
  • George Orwell
  • Graham Greene
  • Anthony Burgess

Esta lista está em ordem cronológica, porém eu não seguirei ordem alguma e assim como o CBC, eu não sei quanto tempo este desafio existirá, pois irá depender dos livros que eu consegui encontrar para leitura, talvez o período da minha graduação inteira, mas ele existirá! Mas Malu, porque você está fazendo isso, porque não autores do seu país? Eu reconheço que temos grandes autores no Brasil, mas gostaria de futuramente (quem sabe estudar a literatura inglesa e por isso quero começar com os grandes nomes, eu sei que faltam alguns, foi difícil para mim discernir todos, mas é só um começo. Para estrear o desafio, estou lendo “Grandes Esperanças” do Charles Dickens, aguardem novas postagens, pois muito chá, livros e Inglaterra serão comentados nesse desafio!

Com Carinho, Malu, a Traça dos Livros.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Análise: Este Lado do Paraíso, o livro que me dividiu opinões (CBC)

Sim! De agora em diante talvez vocês vejam que eu pego livros na biblioteca da faculdade kkkk


O subtítulo já explica, esse livro dividiu muito as minhas opiniões e pelo o que eu pesquisei em blogs a fora, que também dividiu opiniões dos leitores, bom saber que não fui a única e que as críticas são tão diversas. De todos os livros que li do CBC, este foi o que menos eu gostei e vou explicar o porquê.
Quando li “O Grande Gatsby” eu gostei, porém acredito que não atendeu muito bem minhas expectativas, mas gostei do livro e ocorreu o mesmo agora com este livro do Fitzgerald, talvez pelo nome dele ter tão peso na literatura, eu idealizei um pouco suas obras. Porém, por ser a primeira obra do F. Scott Fitzgerald, ele tem seus (talvez grandes) defeitos.

Mais uma vez, o desafio literário me trouxe um romance de formação. Nessa obra, temos contada a vida de Amory Blaine, um jovem americano abastado, com uma personalidade esnobe e egoísta, que vivia com sua mãe um tanto quanto singular. Basicamente, temos a trajetória de Amory contada pelo decorrer da história que é dividida em duas partes. A primeira é sua juventude, ainda um tanto quanto esnobe e cheio de regalias, muito moldado pela influência materna, porém aos dezesseis anos, Amory vai estudar em Princeton e então começa a aparecer seu desenvolvimento intelectual e também seu caráter. Amory é um personagem muito moldado na vida, então acompanhamos a sua transformação que na primeira parte é um tanto quanto muito maçante! Alerto.

Por alguns momentos pensei em desistir da leitura e agradeço por não ter feito isso uma vez que chegamos a segunda parte do livro. O choque. Então temos Amory já adulto, no começo da vida adulta na verdade, e com ele os vários choques que ocorreram especialmente com ele e no mundo e que, de certa forma, lhe influenciaram muito. Primeiro temos o amor, o começo das desilusões e frustrações e junto disso também temos o trabalho, uma vez que a família de Amory não era mais tão bem abastada como antigamente e para anexar ao turbilhão de mudanças, houve a Guerra, que crucialmente mudaria todos os valores mundiais dali por diante.

Então vemos que a segunda parte temos Amory tentando lidar com todas essas mudanças e também tentando se adequar a elas, uma vez que muitos valores mudaram e ver todas essas questões fez o livro se tornar um pouco mais interessante. Também é muito pertinente colocar na análise é a forma que a história é escrita, pois Fitzgerald mistura alguns gêneros textuais, temos por muitos momentos fragmentos de cartas e poesias e em um determinado momento da história, temos tudo narrado no formato de teatro, o que é muito interessante e instiga a leitura. Por fim, temos Amory seguindo seu caminho e um final deixado em aberto, não sabemos qual foi o final da sua história, se obteve ou não sucesso, se sua essência mudaria, se tornaria um escritor, foi um final bem aberto a possibilidades. O que salienta mais que esta seja uma obra autobiográfica ou pelo menos, baseada em alguns fatos do autor.

Agora uma opinião pessoal, esse livro me dividiu completamente uma vez que, comecei lendo e me arrastei por muito tempo em uma leitura maçante e exaustiva para no final eu ficar triste por ter acabado já que me via completamente atenta a história, querendo saber o final da jornada de Amory, ou seja, talvez um livro assim que me divida tanto mostre realmente que é uma obra fantástica, eis um questionamento que levarei para o futuro...

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

domingo, 20 de maio de 2018

Análise: O Grande Gatsby (CBC)




Mais uma leitura cumprida do desafio literário, com muito entusiasmo comecei a ler a história e ela não me decepcionou, também não surpreendeu muito, mas isso é um detalhe, o que realmente importou nessa experiência foi a mensagem passada. Foi meu primeiro contato com F. Scott Fitzgerald e a “Lost Generation” e achei muito satisfatório.

O autor nos leva a Nova York dos anos 20 e toda aquela atmosfera "Art Deco" e "American Dream", um pós-guerra cheio de promessas e uma geração de jovens ricos e despreocupados que passavam seus dias inteiros gastando o dinheiro que herdaram em superficialidades e aparências. Falando assim parece que se trata de uma história muito frívola, mas é o contrário.

A trama é narrada por Nick Carroway – podemos dizer que a voz de Fitzgerald se faz presente no personagem também – que ao relatar os acontecimentos do meio que começou a frequentar, tênues críticas são tecidas ao redor de seu discurso, Nick no meio de toda a esfera de aparências mostra-se humano e com seus princípios.

O narrador relata a experiência de amizade com Jay Gatsby, o mesmo do título. Nele, temos a figura da geração que nascia naquele momento, a figura dos novos ricos que tentavam de tudo para pertencer ao círculo mais tradicional, aquela antiga luta de ascensão da burguesia a nobreza. Todavia, ocorre com Jay Gatsby o que geralmente ocorria, o mesmo sucumbe a sua própria ambição uma vez que foi elevada a grandes níveis e Carroway, apesar de tudo, continua fiel à sua amizade e a partir da derrota de Gatsby começa a enxergar a sociedade com mais crítica.

A ambição é a palavra-chave deste romance, ela gira em torno de toda aquela esfera jovem do pós-guerra, que almejam de tudo e querem ter tudo pois possuem dinheiro o suficiente. São dados como exemplo aos outros, um sonho americano, mas as aparências se tornam u jogo muito perigoso e que sempre acaba com perdedores feridos, no caso do romance até em morte, e a vida de aparências continua sendo seguida. Fitzgerald traz em sua crítica um presságio de colapso deste meio, quando ele escreveu o romance, já vivia em Paris, tentando fugir de onde vivia nos Estados Unidos. De fato, anos depois temos a Crise de 1929 assombrando o país, trazendo novos valores e destruindo o preceito antigo.

Na minha opinião, talvez eu esperasse mais dessa leitura, acho que gostei mais do estilo que o autor escreveu do que do enredo em si, motivou-me a procurar ler mais obras de Scott Fitzgerald. É interessante conhecer a obra de escritores tão clássicos e conhecidos na literatura de um país, e estou adorando ter essa oportunidade a partir do desafio literário. E que venham mais livros!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O Estrangeiro (CBC) e minha fase existencialista




Primeiramente, eu quero dedicar essa publicação do blog ao meu amigo Israel, o ser culto e mais incrível do campus da UFSCar, além de me encorajar a ler o livro, também discutiu comigo sobre a obra e isso me ajudou muito a escrever. Essa é para você Israel! Obrigada mesmo! E se você estiver lendo isso, não se sinta envergonhado, pois você merece reconhecimento mesmo!

De todos os livros do Charlie Book Challenge, este era o título que mais me intimidava, realmente eu não sabia o que esperar da leitura, além de ter aquela visão de complexidade me rodeando, mas o resultado após ler esse livro foi fantástico e me motivou demais a continuar a ler a obra de Albert Camus.

De início, vou resumir a narrativa em apenas uma palavra. Indiferença. Esta, vai estar presente em todos os momentos enquanto lemos a história, na verdade a indiferença se faz presente até mesmo no título, “O estrangeiro”, quem seria o estrangeiro? Atentei-me a definir o estrangeiro como o próprio protagonista, Mersault, ele é banhado por essa aura de indiferença em sua vida que pode se dizer que ele é um estrangeiro nesse mundo que vive.
Chega a ser perturbador o nível de estabilidade que Mersault tem em relação aos momentos de sua vida. No começo da narrativa, temos o relato da morte de sua mãe, cujo não lhe parece afetar muito, o que mais lhe preocupou foi que ele teria que quebrar sua rotina e ir até a casa de repouso cuidar das providencias do funeral, quando tudo acabou, ele seguiu sua vida normalmente.

Todavia, existe em Mersault momentos de catarse (podemos dizer) onde o protagonista se desprende deste estado latente e realiza certa ação que vai completamente contra sua rotina ou qualquer tipo de vida que ele levava, isto ocorre no final das duas partes da história, cujo são muito emocionantes!
O livro inteiro te traz inúmeras reflexões sobre a natureza humana, exatamente o que o autor procura propor e também o que o contexto da época propõe. Camus escreveu O Estrangeiro em um contexto filosófico específico, o existencialismo, muito conhecido pelo seu pensador Jean-Paul Sartre e foi assim que “O Muro” entrou em minha vida (thak you, Israel). Após ler O Estrangeiro, senti que não foi o suficiente para entender toda a filosofia que por ali girava, então comecei a leitura deste livro, que é um acervo de contos escritos pelo próprio Sartre.

Portanto, estou vivenciando uma fase Existencialista. Para entender seus preceitos, estou usando a literatura ao meu favor e como forma de estudo também. Irei ler, de forma alternada um romance de Albbert Camus e um conto de Sarte. Apenas li – ainda - o primeiro conto, com o mesmo nome do título do livro e a mesma aura de O Estrangeiro também cerca a história, tendo seu final um desfecho chocante assim como a obra de Camus e uma grande crítica aos governos fascistas no período do século XX. O objetivo dessa fase literária que estou vivendo não é apenas entender o contexto filosófico cujo as obras foram escritas, mas também enxergar nelas uma forma de refletir sobre o mundo que vivo hoje, se posso ser também uma estrangeira ao mundo assim como Mersault, só espero não ter o mesmo fim dele.
Então, ao decorrer do blog, ainda lerão muito sobre minha aventura nas palavras de Camus e Sartre.

Com carinho, Malu, a Traça dos livros.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Análise: Peter Pan, vamos voltar a ser crianças um pouco? (CBC)




Mais um livro do desafio literário concluído (na verdade, eu terminei a leitura no mês passado, mas só agora consegui escrever sobre) e o primeiro post do mês de abril, depois de tantas leituras densas, nada melhor do que mergulhar na imaginação de uma história infantil.

Conhecemos a história dos irmãos Darling, três crianças que viviam em Kensington, que uma noite receberam uma vista tanto quanto especial. Peter Pan, um menino que nunca crescia, junto de sua fada amiga, Sininho, então, junto deles, os irmãos: Wendy, Miguel e João embarcam para a Terra do Nunca, onde Peter vivia, com a promessa de mil aventuras.

A Terra do Nunca era o local onde Peter morava junto com os meninos perdidos, crianças que nunca cresciam e lá habitavam aquele lugar cheio de criaturas fantásticas e magia e ao logo da história, vamos vivenciando as aventuras deles junto de Peter.

O ponto que quero chegar é que Peter Pan transcende a tarja etária e se torna uma história fundamental para nós, que deixamos de ser crianças, como forma de sempre nos lembrarmos que um dia acreditamos em fadas! Peter é a representação clara daquela criança que vive intensamente e não quer deixar de viver tudo isso. Que podemos nos tornar Peter Pan algumas vezes, voltarmos a ser crianças, acreditarmos na magia.

Foi exatamente assim que me senti ao ler Peter Pan, depois de tantas leituras intensas, cheias de críticas e problemas, me transportei para a Terra do Nunca e me permiti ser criança, fugir daquela realidade que me cercava dentro e fora das leituras anteriores, uma vez que não sou mais uma criança, mas por um momento, ao virar cada página, eu me senti voando pelos céus de Kensington em rumo ao mágico.

Leiam sempre um conto de fadas, pois eles trazem cores para nossa vida, nos fazendo acreditar! 

Com Carinho, Malu, a Traça dos Livros. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Minhas leituras de Março




Março, primeiro mês do semestre e farei agora um balanço das leituras feitas neste mês. Mesmo com a carga da faculdade, achei que foi um saldo positivo em número de leituras, gostaria de manter este ritmo até o fim do semestre, mesmo achando que será bem difícil isso ocorrer.

  •   Livro 1: Vulgo Grace (Margaret Atwood)

Mais uma vez, minha querida Margaret Atwood não me decepcionou, uma história triste, mas também muito sensata e precisa, me levando a vários questionamentos sobre a posição da mulher na sociedade.

Nota: 4.5

  • ·         Livro 2: O Sol é Para Todos (Harper Lee)

É uma leitura fundamental! Emocionante, incrível, não tem adjetivos para descrever o quão fantástico foi ler este livro e agradeço muito ter começado o desafio literário que me inseriu nesta narrativa tão precisa no presente momento. Sem dúvidas entrou na lista de livro que para sempre eu vou amar!

Nota: 5 é pouco!!!!!
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  •         Livro 3: O Banquete (Platão)

Este livro foi o exemplo da leitura acadêmica que se tornou algo prazeroso de se ler, é muito interessante as ideias exprimidas sobre o amor, em destaque o “Mito do Andrógeno” que chamou muito a minha atenção.

Nota: 4
  • ·        Livro 4: Peter Pan (J. M Barrie)

O terceiro livro do CBC, ainda não fiz a análise no blog, mas este livro serviu como uma válvula de escape, ler antes de dormir era algo relaxante. Bem, como um conto de fadas, não é?

Nota: 3.9

Obs. Atualmente estou lendo Lolita (Vladimir Nabokov), então só colocarei nas leituras do próximo mês já que não acabei e agora tem as leituras acadêmicas cujo estou lendo Os Lusíadas (Camões) e Lavoura Arcaica (Raduan Nassar).

Bem, foram esses e que venham mais!!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Se o sol é para todos, por que o ódio persiste? (CBC)




“ – Chorar por causa de que, sr. Raymond? – Perguntou Dill, querendo se defender.
- Por causa Do inferno pelo qual pessoas fazem outras pessoas passarem sem nem pensar. Por causa do inferno pelo qual os brancos fazem os negros passarem, sem nem se quer pararem para pensar que eles também são gente. ” (Pág. 251)

Esta análise será diferente das anteriores, deixemos o desafio literário um pouco de lado e coloquemos nossos corações em paz e reflexão. 

Tenho em mente que uma leitura não se basta apenas do que está impresso nas páginas, os elementos exteriores também influenciam na leitura e nunca um livro foi tão influenciado com os momentos que meu redor vivia como “O sol é para todos”. Esta obra sempre me chamou a atenção e após começar o desafio literário (CBC) não tinha como adiar o meu encontro com as palavras de Harper Lee. Simplesmente era o momento propício, o momento de reflexão e crítica.

Este blog não pode se ausentar do mundo real e viver apenas em uma fantasia ideal e literária, o social deve estar presente, ainda mais agora, em momentos tão difíceis e duros, onde o ódio persiste estampado descaradamente no rosto das pessoas, ideais tão primitivos e segregacionistas ressurgem e o discurso de preconceito e discriminação torna aparente na sociedade, não dá para ficar de olhos fechados ou mostrar-se indiferente, uma vez que se torna algo inaceitável e perigoso.

“ – Eu também achava isso – ele disse, por fim -, quando tinha sua idade. Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?...” (Pág. 283)

Voltando ao livro, houve inúmeros momentos cujo minhas lágrimas acabaram por me vencerem e era inevitável não pensar no atual contexto brasileiro. Uma mulher, negra, defensora daqueles que não possuem voz foi silenciada por tiros, não foi um atentado a apenas às vítimas, foi um atentado a todos nós! E é mais que necessário nos lembrarmos de Marielle Franco e sua luta diariamente, ela nunca será esquecida e estará presente não apenas nas minhas leituras, mas como também na vida diária, sendo mulher, sendo voz ativa para todas nós.

“ – Tom morreu.
Tia Alexandra colocou as mãos sobre a boca.
- Foi morto a tiros – disse Atticus. ” (Pág. 292)

A história narrada por uma menina de oito anos, Scout, nos faz refletir em que mundo nós vivemos, um mundo que as questões raciais ainda persistem, um mundo que muita injustiça ainda ocorre em todos os lugares. Não estou falando da data da publicação, da época que se contava a história ou atualmente, todavia as questões continuam em nossa sociedade e existe ainda a necessidade de serem discutidas. 

Porém, a postura desta personagem nos faz ainda ter esperança, já que ela está disposta a mudar e não concorda com o que ocorria a sua volta, devemos ter a postura de Scout, devemos sempre tentar ser melhores assim como Atticus Finch, ter os mesmos valores que ele, de ir em busca daqueles que são os inocentes, defender um acusado negro por estupro de uma moça branca, na época que as políticas segregacionistas nos EUA era muito rigorosas, mesmo que isso seja contra todos, mas defender a honra de fazer o trabalho certo. E nunca, nunca perder a esperança pois ainda no mundo existe pessoas como a Scout ou como Atticus, além disso você mesmo pode ser uma delas.

 “ – Foi preciso uma menina de oito anos para fazer eles recobrarem o bom senso, não foi? – Disse Atticus – isso prova que um bando de homens ensandecidos pode ser contido, simplesmente porque eles continuam sendo humanos. Hum, talvez precisássemos de uma força policial formada por crianças...” (Pág. 197)

Por último, eu deixo o título do livro como forma de reflexão, o mesmo sol que brilha sobre a minha cabeça é igual a de todos, pois no final todos somos iguais e este mesmo sol nos alimenta, nos dá vida, então por que o ódio? Em meio a tempos tão frios e escuros, olhemos para o sol e lembremos da luta diária pela igualdade.

#MariellePresente

Com carinho (e muita força), Malu, a Traça dos Livros.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Minhas leituras das férias


Foto tirada no meu Instagram 

Todo mês farei um balanço do que foi lido durante certo período, expressarei um comentário sobre o livro lido e darei uma nota de 1 a 5, o primeiro será das minhas leituras das férias. Entrei em férias no dia 15/12/17, para quem não sabe, faço Letras na Universidade Federal de São Carlos, estou indo para meu segundo ano da graduação. Esta semana é minha última de férias e posso dizer que houve um saldo muito positivo em relação as leituras.

  • ·       Livro 1: A Dama das Camélias (Alexandre Dumas Filho)

Comecei a ler este romance no dia que entrei de férias e rapidamente o finalizei com lágrimas nos olhos por ter acabado aquela história tão linda e triste. Uma narrativa comovente e muito sensível, ideal para os românticos de plantão, como eu.

Nota: 4

  • ·         Livro 2: As Relações Perigosas (Chordelos de Laclos)

A estrutura da narrativa com o gênero de cartas o faz ser muito interessante, além dos personagens que são muito marcantes. Todavia, não alcançou minhas expectativas e se tornou uma leitura um pouco maçante ao decorrer da história.

Nota: 3

  • ·         Livro 3: Anna Karienina (Liev Tolstói)

Não há palavras suficientes para descrever este livro e tudo que eu conseguir expressar será pouco perto da genialidade desta história que te faz viver numa sociedade da Rússia daquela época, é uma leitura fundamental e essencial, Tolstói sabe muito bem como escrever um romance e um panorama histórico como ninguém, acredito que foi a leitura mais maravilhosa que já tive em minha vida, ler esta história é uma experiência indescritível.

Nota: 5 (óbvio)

  • ·         Livro 4: A Odisseia de Penélope (Margaret Atwood)

Uma leitura cativante e com muitas marcas de protesto e críticas sociais, levantando questões sobre a mulher, eu achei incrível! Além de ter me oferecido respostas para algumas questões que eu possuía com o livro de Homero, além de nos fazer pensar muito. A partir deste livro comecei a declarar meu amor por Margaret Atwood.

Nota: 4.3

  • ·         Livro 5: O Apanhador do Campo de Centeio (J. D Salinger)

Uma leitura fundamental! Emocionante, cativante e muito reflexiva, eu simplesmente adorei, irei ler sempre, um ótimo livro para meu Charlie Book Challenge.

Nota: 4.5

  • ·         Livro 6: Orlando (Virginia Woolf)

Um livro diferente e fantástico! Com críticas ótimas e necessárias, (assim como o livro da Margaret Atwood, vemos a posição da mulher posta em questionamento), a genialidade de Virginia Woolf é colocada para nós em suas páginas.

Nota: 4.3

  • ·         Livro 7: A Bonequinha de Luxo (Truman Capote)

É delicioso ler e se ver encantada pela personagem que é a Holly Golithly, simplesmente um ícone! Porém, o final me deixou um pouco frustrada.

Nota: 3.8


Obs: Estou com duas leituras em andamento, “Peter Pan” do J. M Barrie (CBC) e “Vulgo Grace” da Margaret Atwood, como sei que não completarei ambos, não irei atribuir nota, ficará para as leituras de março mesmo.

Bem, eu adorei as experiências literárias e que venham muitas durante esse ano!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

(Análise) O Apanhador do Campo de Centeio: A geração da dúvida que surgia (CBC)



“Salinger foi uma daquelas pessoas raras que podem ser citadas como pessoas que criaram uma geração” é com essa frase, retirada de uma resenha de outro blog que começo minha resenha. O livro escrito durante o período pós Segunda Guerra Mundial nos instiga desde a primeira até a última página, nos trazendo uma nova forma de pensar sobre o mundo ao redor e sobre a geração que se fundou naquela época e que até hoje persiste na reflexão das mesmas dúvidas que no romance pioneiro foi abordado. 

Somos apresentados a Holden Caulfield, um rapaz americano de dezesseis anos, nascido em uma família abastada, estudante de um colégio interno para garotos. Durante um período de um dia, vivemos o cotidiano de Holden que sofre grandes mudanças ao longo deste.

A narrativa se inicia com a descoberta da expulsão de Holden do colégio interno, não era a primeira vez que isto ocorria a ele e isto o faz querer partir no meio da noite para Nova York, antes do feriado de natal cujo o mesmo voltaria para casa e notificaria os pais sobre a expulsão. Holden se mostra uma pessoa frustrada, incompreendida por todos a sua volta e exausto das situações que se inseria. Primeiramente, Holden não suportava mais o colégio e seus colegas e ao longo de sua viagem por Nova York, vendo os cenários que se inseria, no meio do mundo, mais ainda se sentia não pertencente a aquela esfera, tecendo críticas fervorosas contra a realidade que vivia.

Holden é um personagem rebelde e muito complexo, é difícil defini-lo uma vez que possuía opiniões tão formadas e também era cercado por muitas dúvidas. Salliinger, teceu um trabalho fenomenal ao criar este personagem que nada mais é do que um jovem ser humano, cheio de dúvidas quanto seu futuro, sem perspectivas, abominando o círculo social que foi inserido e tentando buscar uma essência ou algo que traria certo sentido. Holden me lembrou muito o personagem principal de “Into the Wild”, em busca de obter sentido e a frustração com o meio que vivia, talvez até possa ter ligação, uma vez que o autor trouxe à tona uma análise atual que até hoje é discutida entre os jovens.

Durante sua estadia em Nova York, Holden se vê em situações que denunciam a sociedade e seu modo de vida selvagem, cheio de maldade e injustiças, o próprio Holden se decepciona por vários momentos com pessoas ao seu redor (como seus antigos professores) e também se comove com outros, a ponto de fazer amizades. Temos durante a leitura, grandes reflexões interiores do protagonista, cujo expressa suas ideias e lamentos sobre a vida, até chegar na conclusão que o melhor a fazer seria abandonar tudo isso e seguir para um novo lugar, para recomeçar sua vida (a ligação com Into the Wild também). Todavia tomamos conhecimento da personagem Phoebe, a irmã mais nova de Holden, uma garota de nove anos que traz muitas respostas para Holden a partir de gestos de carinho sem nenhuma pretensão, a ligação entre os dois irmãos é muito forte e bonita, Phoebe mesmo com nove anos mostra ser uma menina muito evoluída e que consegue entender seu irmão. E também Allie, o irmão falecido de Caulfield cujo traz muitas memórias e reflexões para Holden.

No final, temos última cena no carrossel do parque, Holden, vendo sua irmã brincando no lugar, começa a pensar sobre suas decisões e finaliza junto da irmã com a resposta de que não iria partir e seguiria para a casa dos pais para contar da expulsão do colégio. Terminada a narrativa, não sabemos o rumo do personagem, ele poderia muito bem ter repaginado sua vida ou sucumbido ao reduto que tanto criticou.

Para mim, a narrativa é fantástica! O autor conseguiu trazer para nós um espírito de questionamento e também de identificação. Frisarei para a última cena do livro, cujo me emocionou e me deu aquela vontade de querer saber mais sobre o futuro dos personagens, da reação dos pais de Holden, se ele reencontraria Jane Gallangher ou se seguiria de forma diferente sua vida, todavia consegui entender que aquele era o momento da história acabar e me senti muito grata por ter conhecido esta brilhante história.

Com carinho, Malu, a Traça dos livros.

obs: retirei a citação do blog "Pílulas Literárias". 

Desafio Literário “Charlie's Book Challenge - CBC"



Eu não sei se existe este projeto de leitura em outros sites ou blogs, mas achei muito pertinente começar meu primeiro desafio literário com leituras que sempre quis fazer.

Para situar a todos, Charlie é o protagonista do livro “As Vantagens de Ser Invisível” de Stephen Chobosky, nesta obra, Charlie possui aulas de inglês avançado no colégio e seu professor, o Sr. Anderson, percebe a grande afeição de Charlie por literatura e indica livros além dos obrigatórios em sala de aula como forma de motivação ao aluno, que fazia ensaios e resenhas das obras lidas. Ao todo, Charlie leu doze livros, sendo estes grandes clássicos da literatura norte-americana e também mundial:


Escolhi fazer este desafio, pois sempre tive vontade de ler estes romances antes e após de ler o livro e assistir à adaptação de cinema, (dos doze livros, quando comecei a ter a ideia de fazer o desafio eu apenas tinha lido Hamlet) uma vez que esta obra (tanto o livro quanto o filme) possui uma ligação muito forte comigo e também com a minha mãe, falamos que é a obra feita para nós,(precisarei escrever sobre isso) e nada melhor do que começar meu blog com um desafio literário desses!

Sobre o desafio, não estipularei prazo para este, uma vez que não sei por que meios lerei todos eles, mas prometo escrever uma análise de cada um e compartilhar minhas impressões de cada obra, a primeira escolhida foi “O Apanhador do Campo de Centeio” que em breve terá texto no blog!
Bem... Vamos a leitura!!

Com Carinho, Malu, a Traça dos Livros.