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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Análise: Este Lado do Paraíso, o livro que me dividiu opinões (CBC)

Sim! De agora em diante talvez vocês vejam que eu pego livros na biblioteca da faculdade kkkk


O subtítulo já explica, esse livro dividiu muito as minhas opiniões e pelo o que eu pesquisei em blogs a fora, que também dividiu opiniões dos leitores, bom saber que não fui a única e que as críticas são tão diversas. De todos os livros que li do CBC, este foi o que menos eu gostei e vou explicar o porquê.
Quando li “O Grande Gatsby” eu gostei, porém acredito que não atendeu muito bem minhas expectativas, mas gostei do livro e ocorreu o mesmo agora com este livro do Fitzgerald, talvez pelo nome dele ter tão peso na literatura, eu idealizei um pouco suas obras. Porém, por ser a primeira obra do F. Scott Fitzgerald, ele tem seus (talvez grandes) defeitos.

Mais uma vez, o desafio literário me trouxe um romance de formação. Nessa obra, temos contada a vida de Amory Blaine, um jovem americano abastado, com uma personalidade esnobe e egoísta, que vivia com sua mãe um tanto quanto singular. Basicamente, temos a trajetória de Amory contada pelo decorrer da história que é dividida em duas partes. A primeira é sua juventude, ainda um tanto quanto esnobe e cheio de regalias, muito moldado pela influência materna, porém aos dezesseis anos, Amory vai estudar em Princeton e então começa a aparecer seu desenvolvimento intelectual e também seu caráter. Amory é um personagem muito moldado na vida, então acompanhamos a sua transformação que na primeira parte é um tanto quanto muito maçante! Alerto.

Por alguns momentos pensei em desistir da leitura e agradeço por não ter feito isso uma vez que chegamos a segunda parte do livro. O choque. Então temos Amory já adulto, no começo da vida adulta na verdade, e com ele os vários choques que ocorreram especialmente com ele e no mundo e que, de certa forma, lhe influenciaram muito. Primeiro temos o amor, o começo das desilusões e frustrações e junto disso também temos o trabalho, uma vez que a família de Amory não era mais tão bem abastada como antigamente e para anexar ao turbilhão de mudanças, houve a Guerra, que crucialmente mudaria todos os valores mundiais dali por diante.

Então vemos que a segunda parte temos Amory tentando lidar com todas essas mudanças e também tentando se adequar a elas, uma vez que muitos valores mudaram e ver todas essas questões fez o livro se tornar um pouco mais interessante. Também é muito pertinente colocar na análise é a forma que a história é escrita, pois Fitzgerald mistura alguns gêneros textuais, temos por muitos momentos fragmentos de cartas e poesias e em um determinado momento da história, temos tudo narrado no formato de teatro, o que é muito interessante e instiga a leitura. Por fim, temos Amory seguindo seu caminho e um final deixado em aberto, não sabemos qual foi o final da sua história, se obteve ou não sucesso, se sua essência mudaria, se tornaria um escritor, foi um final bem aberto a possibilidades. O que salienta mais que esta seja uma obra autobiográfica ou pelo menos, baseada em alguns fatos do autor.

Agora uma opinião pessoal, esse livro me dividiu completamente uma vez que, comecei lendo e me arrastei por muito tempo em uma leitura maçante e exaustiva para no final eu ficar triste por ter acabado já que me via completamente atenta a história, querendo saber o final da jornada de Amory, ou seja, talvez um livro assim que me divida tanto mostre realmente que é uma obra fantástica, eis um questionamento que levarei para o futuro...

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Análise: On The Road, se perder para se encontrar (CBC)



E mais uma vez, meu desafio literário me leva a ler mais um clássico da literatura norte-americana. Agora, Jack Kerouac e seu tão famoso livro “On The Road”. Acredito que de todos os livros citados, este foi um nome muito marcante para mim, é difícil dizer que esta obra é mais importante, pois na lista de doze livros temos Shakespeare, Fitzgerald e Harper Lee, mas era um nome que eu já conhecia e tinha muita vontade de ler.

Está sendo difícil começar minha análise, pois este livro não carrega apenas palavras diferenciadas. Esta obra carrega uma geração inteira, completamente modificada e nova que apareceu naquela época, este livro é uma vanguarda, um clássico, algo que vai se estender pelos tempos como uma referência, mesmo em um tempo de novos valores. On The Road foi a bíblia para a “Geração Beat” que apareceu no final da década de 1950 que inspirou muitos movimentos jovens posteriormente, neste caso, vemos as primeiras manifestações jovens sobre seus futuros e os questionamentos destes.

Vamos a história... temos uma estrutura de narrador mais como um observador do que um protagonista em si, não consigo ver Sal Paradise como um protagonista do romance. Sal é um estudante que começa a se aventurar no mundo da escrita, em busca de inspiração do seu romance, ele decide embarcar junto de seu grande amigo, Dean Moriarty – o verdadeiro protagonista da história – pelos Estados Unidos. Assim começa a primeira viagem da dupla de amigos.

Somos levados no banco de trás de um carro sobre as estradas americanas, juntos, percorremos montanhas e desertos, corremos junto dos rios e campos, conhecemos cidades e pessoas pitorescas que vão influenciando cada vez mais a história e a fazendo ser mais marcante. A forma como o autor descreve cada momento é muito minuciosa, somos apresentados a cada detalhe das paisagens ou das pessoas que Dean e Sal conheciam. É um artificio de escrita lindo, mas havia momentos bem cansativos na leitura.

A aventura não se limita apenas a viagem, ela se estende a mente desse personagem bem peculiar que é Dean Moriarty. Um jovem cheio de indecisões, cheio de desejos e completamente em dúvida sobre seu futuro, sendo necessário fazer a viagem para se perder em busca de se encontrar. Esta aura reflete diretamente em Sal uma vez que ele vê uma enorme admiração por Dean e até mesmo, uma forma de inspiração para seguir em frente. Por isso a viagem é tão necessária, aqueles jovens buscam um sentido para a vida, o futuro é muito incerto e tedioso e viver este presente insólito se torna a fuga mais eficaz para aquele momento.

Na minha humilde opinião, quem sou eu para julgar, eu reconheço a referência e a carga cultural que este livro carrega, não se pode negar o quão este livro foi importante para uma geração e como ainda ele pode comover jovens. Todavia, isso não ocorreu comigo. Eu achei a obra muito diferente e interessante, mas faltou algo nela que ainda não sei bem explicar o que, talvez não tenha me atraído tanta a atenção ou não tenha ocorrido uma certa identificação que com muitos acontece ao ler On The Road, mas não dá para negar, este livro deu novas reflexões na sua época, não deixa de ser genial.


Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Leituras do Semestre (em geral)






Desde março não faço post sobre minhas leituras do mês, então decidi unir todos esses meses e colocar tudo na lista de livro que li durante este semestre que chega no fim (finalmente!). Estou orgulhosa de ter lido bastante e não ter me atentado em ler apenas o que a faculdade estava propondo como leitura, pude perceber que meu hábito está se desenvolvendo, além disso ocorreu uma variedade das obras, mostrando que não leio apenas um tipo de livro, posso ser diversa.

Vamos aos livros e as notas!
  • Livro 1: O Conto da Aia (Margaret Atwood)

Esta autora é genial e tudo que ela representa também é, todavia, como eu já havia dito anteriormente, não atendeu todas as minhas expectativas e não é a melhor obra dela, mesmo tendo uma premissa incrível.

Nota: 3.8
  • Livro 2: Lolita (Vladmir Nabokov)

É um livro doentio! Não apenas pelo que se trata, mas como ele também é escrito e como tudo se une e te prende completamente na leitura, é fantástico e deve ser lido, porque é uma experiência única.

Nota: 4.6
  • Livro 3: O Estrangeiro (Albert Camus)

Se Lolita foi uma leitura incrível, “O Estrangeiro” não fica para atrás. É extasiante ler os poucos capítulos e ter inúmeras reflexões sobre cada detalhe que a obra aborda.

Nota: 4.5
  • Livro 4: Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel A. de Almeida)

Temos uma leitura obrigatória da faculdade, na verdade foi uma releitura, eu já havia lido no colegial, mas dessa vez consegui capturar o que esta obra tem de tão especial, o humor diferente e o contexto novo.

Nota: 3.9
  • Livro 5: O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

Um clássico é um clássico! E o que faz esse livro ser tão bom é como a sociedade foi tão bem retratada e de uma forma de crítica suave, problemas de gente branca e rica (kkkk).

Nota: 4
  • Livro 6: A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne)

Um livro difícil de ser lido, períodos longos e uma história densa, mas que é de uma forma muito envolvente e fascinante, eu gostei muito de ter lido este livro, mesmo com todo o esforço foi válido. A estética desse livro é fenomenal!

Nota: 4
  • Livro 7: As Ondas (Virginia Woolf)

Não tem o que falar! Quando eu não gosto das obras de Virginia? Este livro é incrível e tudo que nele é retratado se vale para nossas discussões pessoais e inúmeras vezes me vi identificando-me com algum personagem ou pelo que ele estava sentindo no momento. Não podemos deixar de falar da forma que a obra é escrita, tão singela e lírica.

Nota: 4.5
  • Livro 8: Folhas de Relva (Walt Whitman)

De todos os livros lidos, apenas esse trata-se de poesia, mas que livro! Não tem muito o que se dizer dele, ele transcende o papel e os versos, ele transcende a nossa alma!

Nota: 5, se pudesse dar valor maior, eu daria com louvor!

  • Livro 9: A maçã Envenenada (Michel Laub)

Um livro moderno, eletrizante e que se harmoniza com as músicas do Nirvana, não tem como dar errado, foi incrível ler esta obra e foi preciso, pois me tirou da zona de conforto que eu havia criado sobre minhas leituras.

Notas: 3.9

  • Livro 10: Um Teto Todo Seu (Virginia Woolf)

E para finalizar nada mais do que esta autora maravilhosa mais uma vez me encantando com a forma que escreve e tudo que ela aborda em sua obra, este livro me fez questionar inúmeros pontos e ter uma reflexão sobre como é ser mulher no ambiente da literatura.

Nota: 5

Estes foram os livros lidos no semestre, enfim poderei ter um descanso na faculdade, mas planejo continuar lendo nas férias. Minha meta para esse período de recesso é ler apenas dois livros, os outros que conseguir ler será lucro, a meta das férias é ler Mrs. Dalloway (Virginia Woolf) e A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera), então aguardem as análises em breve. Por ora isso é tudo, posso dizer que mais um semestre se foi.

Com carinho, Malu, a Traça de Livros.

domingo, 20 de maio de 2018

Análise: O Grande Gatsby (CBC)




Mais uma leitura cumprida do desafio literário, com muito entusiasmo comecei a ler a história e ela não me decepcionou, também não surpreendeu muito, mas isso é um detalhe, o que realmente importou nessa experiência foi a mensagem passada. Foi meu primeiro contato com F. Scott Fitzgerald e a “Lost Generation” e achei muito satisfatório.

O autor nos leva a Nova York dos anos 20 e toda aquela atmosfera "Art Deco" e "American Dream", um pós-guerra cheio de promessas e uma geração de jovens ricos e despreocupados que passavam seus dias inteiros gastando o dinheiro que herdaram em superficialidades e aparências. Falando assim parece que se trata de uma história muito frívola, mas é o contrário.

A trama é narrada por Nick Carroway – podemos dizer que a voz de Fitzgerald se faz presente no personagem também – que ao relatar os acontecimentos do meio que começou a frequentar, tênues críticas são tecidas ao redor de seu discurso, Nick no meio de toda a esfera de aparências mostra-se humano e com seus princípios.

O narrador relata a experiência de amizade com Jay Gatsby, o mesmo do título. Nele, temos a figura da geração que nascia naquele momento, a figura dos novos ricos que tentavam de tudo para pertencer ao círculo mais tradicional, aquela antiga luta de ascensão da burguesia a nobreza. Todavia, ocorre com Jay Gatsby o que geralmente ocorria, o mesmo sucumbe a sua própria ambição uma vez que foi elevada a grandes níveis e Carroway, apesar de tudo, continua fiel à sua amizade e a partir da derrota de Gatsby começa a enxergar a sociedade com mais crítica.

A ambição é a palavra-chave deste romance, ela gira em torno de toda aquela esfera jovem do pós-guerra, que almejam de tudo e querem ter tudo pois possuem dinheiro o suficiente. São dados como exemplo aos outros, um sonho americano, mas as aparências se tornam u jogo muito perigoso e que sempre acaba com perdedores feridos, no caso do romance até em morte, e a vida de aparências continua sendo seguida. Fitzgerald traz em sua crítica um presságio de colapso deste meio, quando ele escreveu o romance, já vivia em Paris, tentando fugir de onde vivia nos Estados Unidos. De fato, anos depois temos a Crise de 1929 assombrando o país, trazendo novos valores e destruindo o preceito antigo.

Na minha opinião, talvez eu esperasse mais dessa leitura, acho que gostei mais do estilo que o autor escreveu do que do enredo em si, motivou-me a procurar ler mais obras de Scott Fitzgerald. É interessante conhecer a obra de escritores tão clássicos e conhecidos na literatura de um país, e estou adorando ter essa oportunidade a partir do desafio literário. E que venham mais livros!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O Estrangeiro (CBC) e minha fase existencialista




Primeiramente, eu quero dedicar essa publicação do blog ao meu amigo Israel, o ser culto e mais incrível do campus da UFSCar, além de me encorajar a ler o livro, também discutiu comigo sobre a obra e isso me ajudou muito a escrever. Essa é para você Israel! Obrigada mesmo! E se você estiver lendo isso, não se sinta envergonhado, pois você merece reconhecimento mesmo!

De todos os livros do Charlie Book Challenge, este era o título que mais me intimidava, realmente eu não sabia o que esperar da leitura, além de ter aquela visão de complexidade me rodeando, mas o resultado após ler esse livro foi fantástico e me motivou demais a continuar a ler a obra de Albert Camus.

De início, vou resumir a narrativa em apenas uma palavra. Indiferença. Esta, vai estar presente em todos os momentos enquanto lemos a história, na verdade a indiferença se faz presente até mesmo no título, “O estrangeiro”, quem seria o estrangeiro? Atentei-me a definir o estrangeiro como o próprio protagonista, Mersault, ele é banhado por essa aura de indiferença em sua vida que pode se dizer que ele é um estrangeiro nesse mundo que vive.
Chega a ser perturbador o nível de estabilidade que Mersault tem em relação aos momentos de sua vida. No começo da narrativa, temos o relato da morte de sua mãe, cujo não lhe parece afetar muito, o que mais lhe preocupou foi que ele teria que quebrar sua rotina e ir até a casa de repouso cuidar das providencias do funeral, quando tudo acabou, ele seguiu sua vida normalmente.

Todavia, existe em Mersault momentos de catarse (podemos dizer) onde o protagonista se desprende deste estado latente e realiza certa ação que vai completamente contra sua rotina ou qualquer tipo de vida que ele levava, isto ocorre no final das duas partes da história, cujo são muito emocionantes!
O livro inteiro te traz inúmeras reflexões sobre a natureza humana, exatamente o que o autor procura propor e também o que o contexto da época propõe. Camus escreveu O Estrangeiro em um contexto filosófico específico, o existencialismo, muito conhecido pelo seu pensador Jean-Paul Sartre e foi assim que “O Muro” entrou em minha vida (thak you, Israel). Após ler O Estrangeiro, senti que não foi o suficiente para entender toda a filosofia que por ali girava, então comecei a leitura deste livro, que é um acervo de contos escritos pelo próprio Sartre.

Portanto, estou vivenciando uma fase Existencialista. Para entender seus preceitos, estou usando a literatura ao meu favor e como forma de estudo também. Irei ler, de forma alternada um romance de Albbert Camus e um conto de Sarte. Apenas li – ainda - o primeiro conto, com o mesmo nome do título do livro e a mesma aura de O Estrangeiro também cerca a história, tendo seu final um desfecho chocante assim como a obra de Camus e uma grande crítica aos governos fascistas no período do século XX. O objetivo dessa fase literária que estou vivendo não é apenas entender o contexto filosófico cujo as obras foram escritas, mas também enxergar nelas uma forma de refletir sobre o mundo que vivo hoje, se posso ser também uma estrangeira ao mundo assim como Mersault, só espero não ter o mesmo fim dele.
Então, ao decorrer do blog, ainda lerão muito sobre minha aventura nas palavras de Camus e Sartre.

Com carinho, Malu, a Traça dos livros.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Minhas leituras de Março




Março, primeiro mês do semestre e farei agora um balanço das leituras feitas neste mês. Mesmo com a carga da faculdade, achei que foi um saldo positivo em número de leituras, gostaria de manter este ritmo até o fim do semestre, mesmo achando que será bem difícil isso ocorrer.

  •   Livro 1: Vulgo Grace (Margaret Atwood)

Mais uma vez, minha querida Margaret Atwood não me decepcionou, uma história triste, mas também muito sensata e precisa, me levando a vários questionamentos sobre a posição da mulher na sociedade.

Nota: 4.5

  • ·         Livro 2: O Sol é Para Todos (Harper Lee)

É uma leitura fundamental! Emocionante, incrível, não tem adjetivos para descrever o quão fantástico foi ler este livro e agradeço muito ter começado o desafio literário que me inseriu nesta narrativa tão precisa no presente momento. Sem dúvidas entrou na lista de livro que para sempre eu vou amar!

Nota: 5 é pouco!!!!!
·        
  •         Livro 3: O Banquete (Platão)

Este livro foi o exemplo da leitura acadêmica que se tornou algo prazeroso de se ler, é muito interessante as ideias exprimidas sobre o amor, em destaque o “Mito do Andrógeno” que chamou muito a minha atenção.

Nota: 4
  • ·        Livro 4: Peter Pan (J. M Barrie)

O terceiro livro do CBC, ainda não fiz a análise no blog, mas este livro serviu como uma válvula de escape, ler antes de dormir era algo relaxante. Bem, como um conto de fadas, não é?

Nota: 3.9

Obs. Atualmente estou lendo Lolita (Vladimir Nabokov), então só colocarei nas leituras do próximo mês já que não acabei e agora tem as leituras acadêmicas cujo estou lendo Os Lusíadas (Camões) e Lavoura Arcaica (Raduan Nassar).

Bem, foram esses e que venham mais!!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Se o sol é para todos, por que o ódio persiste? (CBC)




“ – Chorar por causa de que, sr. Raymond? – Perguntou Dill, querendo se defender.
- Por causa Do inferno pelo qual pessoas fazem outras pessoas passarem sem nem pensar. Por causa do inferno pelo qual os brancos fazem os negros passarem, sem nem se quer pararem para pensar que eles também são gente. ” (Pág. 251)

Esta análise será diferente das anteriores, deixemos o desafio literário um pouco de lado e coloquemos nossos corações em paz e reflexão. 

Tenho em mente que uma leitura não se basta apenas do que está impresso nas páginas, os elementos exteriores também influenciam na leitura e nunca um livro foi tão influenciado com os momentos que meu redor vivia como “O sol é para todos”. Esta obra sempre me chamou a atenção e após começar o desafio literário (CBC) não tinha como adiar o meu encontro com as palavras de Harper Lee. Simplesmente era o momento propício, o momento de reflexão e crítica.

Este blog não pode se ausentar do mundo real e viver apenas em uma fantasia ideal e literária, o social deve estar presente, ainda mais agora, em momentos tão difíceis e duros, onde o ódio persiste estampado descaradamente no rosto das pessoas, ideais tão primitivos e segregacionistas ressurgem e o discurso de preconceito e discriminação torna aparente na sociedade, não dá para ficar de olhos fechados ou mostrar-se indiferente, uma vez que se torna algo inaceitável e perigoso.

“ – Eu também achava isso – ele disse, por fim -, quando tinha sua idade. Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?...” (Pág. 283)

Voltando ao livro, houve inúmeros momentos cujo minhas lágrimas acabaram por me vencerem e era inevitável não pensar no atual contexto brasileiro. Uma mulher, negra, defensora daqueles que não possuem voz foi silenciada por tiros, não foi um atentado a apenas às vítimas, foi um atentado a todos nós! E é mais que necessário nos lembrarmos de Marielle Franco e sua luta diariamente, ela nunca será esquecida e estará presente não apenas nas minhas leituras, mas como também na vida diária, sendo mulher, sendo voz ativa para todas nós.

“ – Tom morreu.
Tia Alexandra colocou as mãos sobre a boca.
- Foi morto a tiros – disse Atticus. ” (Pág. 292)

A história narrada por uma menina de oito anos, Scout, nos faz refletir em que mundo nós vivemos, um mundo que as questões raciais ainda persistem, um mundo que muita injustiça ainda ocorre em todos os lugares. Não estou falando da data da publicação, da época que se contava a história ou atualmente, todavia as questões continuam em nossa sociedade e existe ainda a necessidade de serem discutidas. 

Porém, a postura desta personagem nos faz ainda ter esperança, já que ela está disposta a mudar e não concorda com o que ocorria a sua volta, devemos ter a postura de Scout, devemos sempre tentar ser melhores assim como Atticus Finch, ter os mesmos valores que ele, de ir em busca daqueles que são os inocentes, defender um acusado negro por estupro de uma moça branca, na época que as políticas segregacionistas nos EUA era muito rigorosas, mesmo que isso seja contra todos, mas defender a honra de fazer o trabalho certo. E nunca, nunca perder a esperança pois ainda no mundo existe pessoas como a Scout ou como Atticus, além disso você mesmo pode ser uma delas.

 “ – Foi preciso uma menina de oito anos para fazer eles recobrarem o bom senso, não foi? – Disse Atticus – isso prova que um bando de homens ensandecidos pode ser contido, simplesmente porque eles continuam sendo humanos. Hum, talvez precisássemos de uma força policial formada por crianças...” (Pág. 197)

Por último, eu deixo o título do livro como forma de reflexão, o mesmo sol que brilha sobre a minha cabeça é igual a de todos, pois no final todos somos iguais e este mesmo sol nos alimenta, nos dá vida, então por que o ódio? Em meio a tempos tão frios e escuros, olhemos para o sol e lembremos da luta diária pela igualdade.

#MariellePresente

Com carinho (e muita força), Malu, a Traça dos Livros.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Minhas leituras das férias


Foto tirada no meu Instagram 

Todo mês farei um balanço do que foi lido durante certo período, expressarei um comentário sobre o livro lido e darei uma nota de 1 a 5, o primeiro será das minhas leituras das férias. Entrei em férias no dia 15/12/17, para quem não sabe, faço Letras na Universidade Federal de São Carlos, estou indo para meu segundo ano da graduação. Esta semana é minha última de férias e posso dizer que houve um saldo muito positivo em relação as leituras.

  • ·       Livro 1: A Dama das Camélias (Alexandre Dumas Filho)

Comecei a ler este romance no dia que entrei de férias e rapidamente o finalizei com lágrimas nos olhos por ter acabado aquela história tão linda e triste. Uma narrativa comovente e muito sensível, ideal para os românticos de plantão, como eu.

Nota: 4

  • ·         Livro 2: As Relações Perigosas (Chordelos de Laclos)

A estrutura da narrativa com o gênero de cartas o faz ser muito interessante, além dos personagens que são muito marcantes. Todavia, não alcançou minhas expectativas e se tornou uma leitura um pouco maçante ao decorrer da história.

Nota: 3

  • ·         Livro 3: Anna Karienina (Liev Tolstói)

Não há palavras suficientes para descrever este livro e tudo que eu conseguir expressar será pouco perto da genialidade desta história que te faz viver numa sociedade da Rússia daquela época, é uma leitura fundamental e essencial, Tolstói sabe muito bem como escrever um romance e um panorama histórico como ninguém, acredito que foi a leitura mais maravilhosa que já tive em minha vida, ler esta história é uma experiência indescritível.

Nota: 5 (óbvio)

  • ·         Livro 4: A Odisseia de Penélope (Margaret Atwood)

Uma leitura cativante e com muitas marcas de protesto e críticas sociais, levantando questões sobre a mulher, eu achei incrível! Além de ter me oferecido respostas para algumas questões que eu possuía com o livro de Homero, além de nos fazer pensar muito. A partir deste livro comecei a declarar meu amor por Margaret Atwood.

Nota: 4.3

  • ·         Livro 5: O Apanhador do Campo de Centeio (J. D Salinger)

Uma leitura fundamental! Emocionante, cativante e muito reflexiva, eu simplesmente adorei, irei ler sempre, um ótimo livro para meu Charlie Book Challenge.

Nota: 4.5

  • ·         Livro 6: Orlando (Virginia Woolf)

Um livro diferente e fantástico! Com críticas ótimas e necessárias, (assim como o livro da Margaret Atwood, vemos a posição da mulher posta em questionamento), a genialidade de Virginia Woolf é colocada para nós em suas páginas.

Nota: 4.3

  • ·         Livro 7: A Bonequinha de Luxo (Truman Capote)

É delicioso ler e se ver encantada pela personagem que é a Holly Golithly, simplesmente um ícone! Porém, o final me deixou um pouco frustrada.

Nota: 3.8


Obs: Estou com duas leituras em andamento, “Peter Pan” do J. M Barrie (CBC) e “Vulgo Grace” da Margaret Atwood, como sei que não completarei ambos, não irei atribuir nota, ficará para as leituras de março mesmo.

Bem, eu adorei as experiências literárias e que venham muitas durante esse ano!

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Desafio Literário “Charlie's Book Challenge - CBC"



Eu não sei se existe este projeto de leitura em outros sites ou blogs, mas achei muito pertinente começar meu primeiro desafio literário com leituras que sempre quis fazer.

Para situar a todos, Charlie é o protagonista do livro “As Vantagens de Ser Invisível” de Stephen Chobosky, nesta obra, Charlie possui aulas de inglês avançado no colégio e seu professor, o Sr. Anderson, percebe a grande afeição de Charlie por literatura e indica livros além dos obrigatórios em sala de aula como forma de motivação ao aluno, que fazia ensaios e resenhas das obras lidas. Ao todo, Charlie leu doze livros, sendo estes grandes clássicos da literatura norte-americana e também mundial:


Escolhi fazer este desafio, pois sempre tive vontade de ler estes romances antes e após de ler o livro e assistir à adaptação de cinema, (dos doze livros, quando comecei a ter a ideia de fazer o desafio eu apenas tinha lido Hamlet) uma vez que esta obra (tanto o livro quanto o filme) possui uma ligação muito forte comigo e também com a minha mãe, falamos que é a obra feita para nós,(precisarei escrever sobre isso) e nada melhor do que começar meu blog com um desafio literário desses!

Sobre o desafio, não estipularei prazo para este, uma vez que não sei por que meios lerei todos eles, mas prometo escrever uma análise de cada um e compartilhar minhas impressões de cada obra, a primeira escolhida foi “O Apanhador do Campo de Centeio” que em breve terá texto no blog!
Bem... Vamos a leitura!!

Com Carinho, Malu, a Traça dos Livros.