terça-feira, 17 de julho de 2018

Análise: On The Road, se perder para se encontrar (CBC)



E mais uma vez, meu desafio literário me leva a ler mais um clássico da literatura norte-americana. Agora, Jack Kerouac e seu tão famoso livro “On The Road”. Acredito que de todos os livros citados, este foi um nome muito marcante para mim, é difícil dizer que esta obra é mais importante, pois na lista de doze livros temos Shakespeare, Fitzgerald e Harper Lee, mas era um nome que eu já conhecia e tinha muita vontade de ler.

Está sendo difícil começar minha análise, pois este livro não carrega apenas palavras diferenciadas. Esta obra carrega uma geração inteira, completamente modificada e nova que apareceu naquela época, este livro é uma vanguarda, um clássico, algo que vai se estender pelos tempos como uma referência, mesmo em um tempo de novos valores. On The Road foi a bíblia para a “Geração Beat” que apareceu no final da década de 1950 que inspirou muitos movimentos jovens posteriormente, neste caso, vemos as primeiras manifestações jovens sobre seus futuros e os questionamentos destes.

Vamos a história... temos uma estrutura de narrador mais como um observador do que um protagonista em si, não consigo ver Sal Paradise como um protagonista do romance. Sal é um estudante que começa a se aventurar no mundo da escrita, em busca de inspiração do seu romance, ele decide embarcar junto de seu grande amigo, Dean Moriarty – o verdadeiro protagonista da história – pelos Estados Unidos. Assim começa a primeira viagem da dupla de amigos.

Somos levados no banco de trás de um carro sobre as estradas americanas, juntos, percorremos montanhas e desertos, corremos junto dos rios e campos, conhecemos cidades e pessoas pitorescas que vão influenciando cada vez mais a história e a fazendo ser mais marcante. A forma como o autor descreve cada momento é muito minuciosa, somos apresentados a cada detalhe das paisagens ou das pessoas que Dean e Sal conheciam. É um artificio de escrita lindo, mas havia momentos bem cansativos na leitura.

A aventura não se limita apenas a viagem, ela se estende a mente desse personagem bem peculiar que é Dean Moriarty. Um jovem cheio de indecisões, cheio de desejos e completamente em dúvida sobre seu futuro, sendo necessário fazer a viagem para se perder em busca de se encontrar. Esta aura reflete diretamente em Sal uma vez que ele vê uma enorme admiração por Dean e até mesmo, uma forma de inspiração para seguir em frente. Por isso a viagem é tão necessária, aqueles jovens buscam um sentido para a vida, o futuro é muito incerto e tedioso e viver este presente insólito se torna a fuga mais eficaz para aquele momento.

Na minha humilde opinião, quem sou eu para julgar, eu reconheço a referência e a carga cultural que este livro carrega, não se pode negar o quão este livro foi importante para uma geração e como ainda ele pode comover jovens. Todavia, isso não ocorreu comigo. Eu achei a obra muito diferente e interessante, mas faltou algo nela que ainda não sei bem explicar o que, talvez não tenha me atraído tanta a atenção ou não tenha ocorrido uma certa identificação que com muitos acontece ao ler On The Road, mas não dá para negar, este livro deu novas reflexões na sua época, não deixa de ser genial.


Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Leituras do Semestre (em geral)






Desde março não faço post sobre minhas leituras do mês, então decidi unir todos esses meses e colocar tudo na lista de livro que li durante este semestre que chega no fim (finalmente!). Estou orgulhosa de ter lido bastante e não ter me atentado em ler apenas o que a faculdade estava propondo como leitura, pude perceber que meu hábito está se desenvolvendo, além disso ocorreu uma variedade das obras, mostrando que não leio apenas um tipo de livro, posso ser diversa.

Vamos aos livros e as notas!
  • Livro 1: O Conto da Aia (Margaret Atwood)

Esta autora é genial e tudo que ela representa também é, todavia, como eu já havia dito anteriormente, não atendeu todas as minhas expectativas e não é a melhor obra dela, mesmo tendo uma premissa incrível.

Nota: 3.8
  • Livro 2: Lolita (Vladmir Nabokov)

É um livro doentio! Não apenas pelo que se trata, mas como ele também é escrito e como tudo se une e te prende completamente na leitura, é fantástico e deve ser lido, porque é uma experiência única.

Nota: 4.6
  • Livro 3: O Estrangeiro (Albert Camus)

Se Lolita foi uma leitura incrível, “O Estrangeiro” não fica para atrás. É extasiante ler os poucos capítulos e ter inúmeras reflexões sobre cada detalhe que a obra aborda.

Nota: 4.5
  • Livro 4: Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel A. de Almeida)

Temos uma leitura obrigatória da faculdade, na verdade foi uma releitura, eu já havia lido no colegial, mas dessa vez consegui capturar o que esta obra tem de tão especial, o humor diferente e o contexto novo.

Nota: 3.9
  • Livro 5: O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

Um clássico é um clássico! E o que faz esse livro ser tão bom é como a sociedade foi tão bem retratada e de uma forma de crítica suave, problemas de gente branca e rica (kkkk).

Nota: 4
  • Livro 6: A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne)

Um livro difícil de ser lido, períodos longos e uma história densa, mas que é de uma forma muito envolvente e fascinante, eu gostei muito de ter lido este livro, mesmo com todo o esforço foi válido. A estética desse livro é fenomenal!

Nota: 4
  • Livro 7: As Ondas (Virginia Woolf)

Não tem o que falar! Quando eu não gosto das obras de Virginia? Este livro é incrível e tudo que nele é retratado se vale para nossas discussões pessoais e inúmeras vezes me vi identificando-me com algum personagem ou pelo que ele estava sentindo no momento. Não podemos deixar de falar da forma que a obra é escrita, tão singela e lírica.

Nota: 4.5
  • Livro 8: Folhas de Relva (Walt Whitman)

De todos os livros lidos, apenas esse trata-se de poesia, mas que livro! Não tem muito o que se dizer dele, ele transcende o papel e os versos, ele transcende a nossa alma!

Nota: 5, se pudesse dar valor maior, eu daria com louvor!

  • Livro 9: A maçã Envenenada (Michel Laub)

Um livro moderno, eletrizante e que se harmoniza com as músicas do Nirvana, não tem como dar errado, foi incrível ler esta obra e foi preciso, pois me tirou da zona de conforto que eu havia criado sobre minhas leituras.

Notas: 3.9

  • Livro 10: Um Teto Todo Seu (Virginia Woolf)

E para finalizar nada mais do que esta autora maravilhosa mais uma vez me encantando com a forma que escreve e tudo que ela aborda em sua obra, este livro me fez questionar inúmeros pontos e ter uma reflexão sobre como é ser mulher no ambiente da literatura.

Nota: 5

Estes foram os livros lidos no semestre, enfim poderei ter um descanso na faculdade, mas planejo continuar lendo nas férias. Minha meta para esse período de recesso é ler apenas dois livros, os outros que conseguir ler será lucro, a meta das férias é ler Mrs. Dalloway (Virginia Woolf) e A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera), então aguardem as análises em breve. Por ora isso é tudo, posso dizer que mais um semestre se foi.

Com carinho, Malu, a Traça de Livros.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Análise: Um Teto Todo Seu, um ensaio sobre ser escritora



E mais uma vez eu trago Virginia Woolf para o blog, mas dessa vez, Virginia veio de uma forma mais mordaz, mais reflexiva, não deixando de ser inesquecível.

Na década de 1920, Virginia Woolf – já uma autora de renome -  foi convidada a ministrar palestras sobre “mulheres e a ficção” em duas universidades inglesas, então, temos em “Um Teto Todo Seu” a reunião de seis ensaios da autora sobre este tema que ela teve que se debruçar, o papel da mulher na ficção. Todavia, a abordagem que ela opta é completamente diferente.

Durante os seis ensaios, Virginia frisa na ideia de que para a mulher obter sucesso na escrita literária ela precisa disponibilizar de uma certa quantia de libras e um teto que seja seu. Ou seja, ela precisa ser independente do círculo social que lhe é imposto através dos valores vividos da época, então vemos a autora discutindo diretamente a posição da mulher na sociedade.

Podia-se muito bem apenas ser abordados livros belos e sublimes cujo mulheres fazem parte e dizer quanta genialidade ali possuía, mas Virginia Woolf não queria trazer isso, outro caminho foi percorrido, o caminho da reflexão. A autora de forma única cria um ambiente narrativo para tratar de um discurso direto, tudo isso combinado com o fazer único de literatura de Virginia Woolf, então podemos ver os fluxos de consciência e a escrita lírica da autora nas palavras do ensaio.

Dois pontos quero destacar nessa obra que foram muito importantes para mim, ambos falam de dois autores canônicos. Primeiramente, Virginia Woolf traz a nome de Shakespeare e tudo que este gênio carrega, todavia, ela faz uma breve reflexão, se Shakespeare tivesse uma irmã tão genial quanto ele, ela obteria o mesmo sucesso? E a resposta a autora mesmo nos fornece, a resposta é não. Não, pois a irmã de Shakespeare, na sua época, foi engolida pelas convenções sociais cujo ela pertencia e muito menos ela poderia ser tão genial quanto o irmão uma vez que nunca teria igual educação que foi oferecida ao escritor. Virginia coloca em questionamento a disparidade da educação entre homens e mulheres e como tantas mulheres foram silenciadas ao longo do tempo.

Outro ponto que quero muito destacar é o fato de Virginia Woolf citar Jane Austen. – este parágrafo será mais pessoal – Jane Austen é minha autora favorita, na verdade gosto de dizer que ela é a autora da minha vida, porém neste blog nunca coloquei um post exclusivo para ela, enquanto para Virginia Woolf será a quarta vez que escrevo e foi muito importante ler como Jane Austen (além de Charlotte Bromte e George Eliot) foi tão especial e única em sua época e como isso mudou a forma da mulher se inserir na literatura. Jane Austen não é apenas chás, bailes e casamentos com homens ricos, Jane Austen trouxe voz a um grupo que não possuía espaço se quer e Virginia Woolf estampa isso em seus ensaios, em como Jane Austen e outras autoras no século XIX foram uma exceção no percurso da literatura e como sempre elas precisam ser lembradas.

A problematização da autora não se conclui, pois ela deixa o questionamento para futuras reflexões, reflexões que transcendem os tempos e hoje em dia nos coloca a pensar como é necessária uma autonomia da mulher não apenas no ambiente literário, mas na vida em geral e em Um Teto Todo Seu, Virginia Woolf traz os desafios de ser uma escritora, mas não apenas isso, ela traz os desafios de ser mulher, por isso que esta obra se torna tão necessária. 

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

sábado, 30 de junho de 2018

Análise: A Maçã Envenenada, amor, morte e Nirvana




Ao som de Nevermind começo a escrever sobre este livro e nunca um disco e um livro casaram tão bem nas minhas leituras quanto esses dois, parece que tudo faz mais sentido agora, uma união perfeita.

Desde Margaret Atwood, não ando lendo muitos autores contemporâneos, muito menos nacionais, me sinto em dívida com isso pois parece que eu não valorizo a literatura do meu país, pelo contrário, eu admiro muito o que eu conheço e tenho muita vontade de descobrir mais. Então esta leitura foi muito satisfatória, além de ter sido rápida uma vez que tomou toda minha atenção.

Para começar, somos levados a atmosfera nos anos de 1993 e 1994 cujo a banda grunge Nirvana revolucionava a cultura e o comportamento dos jovens da época, tomamos conhecimento dos relatos do próprio narrador e também protagonista, um jovem de Porto Alegre que tinha uma banda de rock e servia o exército. Temos o panorama de sua vida a partir da vinda do Nirvana ao Brasil em 1993 e tudo que este acontecimento refletiu sobre sua vida até o momento que ele narra a história.

O enredo completo possui nuances e é escrito de forma não linear, então temos recortes de outros acontecimentos da vida do narrador que fazem diferença e costuram a história completa. A história tem como foco dois assuntos que influenciam completamente o andamento de todo o romance e os desdobramentos destes, que são o amor e o suicídio. Ambos, estampados com as músicas do Nirvana e mostram como esta banda refletiu sobre a vida dos personagens.

Temos o narrador como um jovem comum que conhece uma garota para sua banda e partir daquele momento um romance começa a surgir, a figura de Valéria é essencial para o desenvolvimento de toda a trama. Desde então, temos um romance sendo movido pelo amor do casal e por Kurt Cobain e assim como a música “Drain You” – que inspirou o autor a escrever a história – temos a desgaste do casal e a crise, também movida por um certo triangulo amoroso entre outro integrante da banda cujo era melhor amigo do protagonista. O momento de grande crise desse amor é nas vésperas do show do Nirvana no Brasil e temos todo o desdobramento deste narrador com sua amada.

O assunto do suicídio inicia a narrativa noticiando quando o próprio Kurt Cobain se suicidou, sendo isto um ponto crucial para a história, uma vez que as vidas de cada personagem não continuam mais as mesmas e grandes reflexões sobre este acontecimento são relatadas pelo protagonista que sempre leva aquela noticia como um fato chocante em sua vida. Além disso, outro suicídio ocorre na história e a ligação dele com a vida de todos é fundamental, pois no futuro sempre será lembrado assim como a morte de Kurt Cobain.

Não posso deixar de citar um momento particular da história cujo relata a Guerra de Ruanda a vida de Immaculée Ilibagiza e como ela sobreviveu a guerra. Ela é usada como um exemplo a ser seguido pelo protagonista, mostra sua força e dá um novo ponto de vista para a história.

Voltando ao Nirvana, é essencial ouvir a música “Drain you” para que a essencial de toda a história seja captada, isso torna o livro tão envolvente, uma vez que ele é tão eletrizante como as músicas do Nirvana além de fazer contato direto com a juventude daquela época e toda a atmosfera que rodeava, temos em “A Maçã Envenenada” não apenas a história de amor trágica, mas também temos os efeitos do amor de todos os sentidos, o êxtase e a dor, o sentimento de drenar as forças de cada um para se tornarem iguais. Apaixonados.

“Uma garota para outra diz: "Tenho sorte por ter te conhecido”
Eu não ligo para o que você pensa se não for sobre mim
E agora é minha missão, drenar você completamente
Uma viagem através de um tubo e termina na sua infecção

Mastigo sua carne pra você
Atravesso tudo
Num beijo apaixonado
Da minha boca pra sua
Porque eu sou igual a você

Com os olhos tão dilatados, me tornei aprendiz
Você me ensinou tudo sem uma maçã envenenada
A água é tão amarela, e eu um estudante saudável
Endividado e tão agradecido, sugando fluídos” (Drain You – Nirvana)

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros.

PS: Menção honrosa para minha diva e professora Gisele Frighetto que indicou esta obra incrível e por ser essa pessoa maravilhosa que me inspira todos os dias! 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Folhas de Relva, um canto ao universo



“Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo” pois todos os átomos presentes em meu corpo habitam em um universo esplendido cujo sou eternamente grata de fazer parte. Uma saudação a vida, por me permitir ter o dom de escrever e compartilhar a leitura de Walt Whitman, saúdo a este poeta e saúdo a vida por me dar a chance de no mundo habitar junto de suas palavras, elas deixaram digitais em mim e percebo que a partir de hoje o meu mundo não será o mesmo.

Primeiro falarei de como o autor canta para o amor. O amor é tão pleno para ele tratado como uma forma natural, amar é como respirar, simplesmente involuntário. É necessário amar, a partir dele você aprende a viver nesse mundo, uma experiência necessária e válida. Talvez eu ainda não tenha amado o suficiente para escrever sobre este tema, mas posso dizer que aceito esta condição e quem sabe um dia terei palavras suficientes para dizer sobre mim e este sentimento. Deixo este espaço aberto, um intervalo no meio ao elogio da vida em “Folhas de Relva”, que um dia eu possa dizer que senti os versos de Whitman em meu coração como forma de amor.

Então vamos falar sobre o espaço, é inexplicável o tom do poeta ao falar sobre seu país, sobre cada relevo presente nele, cada particularidade que o faz sentir pertencente a um lugar, ele canta seu país e chama a todos para se unir a ele e amar seu lugar de origem. A cada verso que ele fala dos rios, montanhas, desertos eu me via num estado de pertencimento com meu próprio lugar de origem. Por um momento, eu consegui me transportar para a grama verde da minha casa, consegui avistar as montanhas de Minas Gerais e senti o vento frio sobre minha pele, naquele momento eu percebi o quanto sinto falta de casa, mas que a casa sempre está comigo, portanto eu canto junto a meu espaço, não importa aonde eu estiver eu sempre estarei voltando para lá.

Pois por que não cantamos sobre o mundo? Olha que mundo lindo que vivo! Whitman conseguiu trazer algo em mim que fazia tempo que eu buscava nas páginas, mas que cada vez mais eu perdia, a alegria de viver neste mundo. Ora, é de conhecimento de todos as mazelas que nosso mundo carrega e elas não podem ser ignoradas, mas por um momento é necessário olhar o mundo com uma nova perspectiva, colocar espelhos sobre os olhos e ampliar a visão para enfim ver o quão magnifico é pertencer a este imenso mundo, cheio de coisas tão belas, criadas especialmente para nós e que são uma parte unida a milhares de outras cujo você também pertence, formando um universo repleto de possibilidades.

É possível ser infinito em um universo como nosso mundo, de começar algo, desistir e recomeçar, de enxergar a vida com mil maneiras e se reinventar, se tornar algo novo e de novo ser novo para que algo novo surja. Neste momento você se eleva e eleva seu mundo a um patamar que é somente seu. O mundo é seu e ele é feito para cada singularidade que te pertence, você se adapta ao mundo da mesma forma que ele se une a você, uma sintonia perfeita entre cosmos, o seu infinito com o infinito do universo.

“A partir de agora me ordeno liberado de limites imaginários,
Indo aonde eu queira, meu próprio mestre total e absoluto,
Ouvindo outros, considerando bem o que dizem,
Parando, buscando, recebendo, contemplando,
Gentilmente, mas com vontade inegável, me despindo das amarras que me reteriam

Inalo grandes porções de espaço,
O leste e o oeste são meus, e o norte e o sul são meus.

Sou maior, melhor do que eu pensava,
Não sabia que eu tinha tanta bondade.

Tudo parece belo para mim,
Posso repetir a homens e mulheres
Fizestes tal bem a mim que eu faria o mesmo a vós,
Alistarei para mim a vós ao prosseguir,
Me espalharei entre homens e mulheres a prosseguir,
Lançarei um ovo deleite e rudeza entre eles,
Quem me negar não me perturbará,
Quem me aceitar ele ou ela será abençoado e me abençoará”.
(Canção da Estrada Aberta, 5, pág. 330)

Quero permitir-me ser verso livre - como os versos de Walt Whitman - solta no mundo, sem restrições e mesmo assim completamente lírica, cheia de significados. Permito nesse momento levar suas palavras até o infinito do meu ser e eternizá-lo para sempre em minha vida, por hoje em diante eu amo a vida que estou vivendo, independente dos obstáculos existentes, das alegrias e tristezas, da solidão ou acalento, pelo menos a certeza que eu tenho é que ela está sendo vivida. Neste momento eu – celebro o eu, num canto de mim mesmo - sou minha própria poesia e minha própria poeta, eu sou meu mundo e neste mundo eu permito que eu possa viver.

Desta vez, a análise ficou um pouco poética, mas queria expressar o que senti ao ler a coletânea de poemas de Folhas de Relva.

Com carinho, Malu, a Traça dos Livros. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Análise: As Ondas, uma leitura edificante



Após aquele sonho um tanto quanto peculiar, me vi lendo mais uma obra da Virginia Woolf, dessa vez escolhi “As Ondas” e posso dizer que será uma leitura que vou levar para sempre em minha vida. Tive a impressão que após ler o romance inteiro, eu me sentia elevada, as palavras ainda ecoavam na minha mente como ondas calmas na praia.

O livro consiste-se em apresentar monólogos dos seis personagens do romance sobre suas vidas. Todavia, não são apenas palavras ao vento, são significados de vida que trazem à tona grandes temas inerentes ao ser humano como o amor, a morte, a traição, a ganancia, entre outros. Se formos fazer uma análise mais básica, são apenas seis amigos de infância filosofando em lugares aleatórios, talvez nós mesmo com nossos amigos façamos isso também, mas o diferencial é como a autora retrata no romance.

Temos na narrativa de “As Ondas” vestígios de lirismo nas palavras dos personagens, em cada um com sua singularidade, trazendo melancolia, romance, passionalidade, racionalidade e claro, muito lirismo! Talvez esse livro seja o maior traço lírico da Virginia Woolf. Não consigo deixar de relacionar os pontos de vista colocados no romance refletem muito a perspectivas da própria Virginia sobre a vida ou assuntos mundanos.

O modo que a história é redigida é muito especial. A forma que os diálogos são trazidos, junto com o uso do espaço sendo ele muito importante na construção da narrativa é incrível! É sútil e belo, traz calmaria e conforto. As cenas são unidas com os diálogos e reflexões sem uma ordem cronológica muito assídua, de forma que te prende na história de corpo e alma. O espaço não adapta a você, você leitor deve se adequar a ele e entender o que se passa. Não posso deixar de frisar que o primeiro parágrafo é o mais belo e lírico da história.

“O Sol ainda não nascera. Era quase impossível distinguir o céu do mar, mas este apresentava algumas rugas, como se de um pedaço de tecido se tratasse. Aos poucos, à medida que o céu clareava, uma linha escura estendeu-se no horizonte, dividindo o céu e o mar. Então, o tecido cinzento coloriu-se de manchas em movimento, umas sucedendo-se às outras, junto à superfície, perseguindo-se mutuamente, sem parar. ” (Pág.5)

Devo confessar que inúmeras vezes selecionei parágrafos que tocaram meu coração que no final da leitura tinha inúmeros para colocar no post do blog, fiquei em dúvida em qual ser o melhor para selecionar, mas muitas passagens me levavam a refletir sobre minha própria vida e contextos cujo me insiro, mais uma vez voltamos ao meu sonho, talvez era preciso sonhar com ela para eu imergir nessa narrativa edificante de “As Ondas” para compreender todos os meus momentos vividos e seguir em frente com uma nova visão após ler este livro que será levado comigo para sempre. 

sábado, 2 de junho de 2018

O dia que eu sonhei com Virginia Woolf




Sonhos são bizarros, eles têm a capacidade de te fazer refletir sobre tudo que está acontecendo na sua vida ou simplesmente pregar uma peça na sua consciência. Desde o momento que eu acordei, não consigo parar de pensar no meu sonho da noite passada e de tanto estar presente em mim, me vi na obrigação de escrever.

O sonho começou com a visão dos meus passos, usando meus sapatos cor de caramelo, sobre uma ponte, num dia frio de inverno. Andando, encontro uma mulher escorada sobre a ponte, olhando o rio passar, ela era jovem e muito bela e quando me aproximei, ficando ao seu lado, percebi que era Virginia Woolf (a foto que escolhi é bem o que eu vi no sonho mesmo). Ela parecia não notar minha presença, só olhava para o rio passando pela ponte, por uns minutos fico repetindo o mesmo gesto dela, olhar o rio passar até que Virginia se vira para mim, me encara profundamente e diz a seguinte frase:

“You’re not everybody, you are everything.”

Primeiramente, não sei se essa frase está sintaticamente correta, talvez se trate de algo mais poético na frase, só sei que depois disso acordei. Eu sou tudo, mas não sou todo mundo, o que realmente isso quer dizer? Por que Virginia?

Foi simbolismo em cima de simbolismo, naquele momento eu precisava estar naquela ponte, eu precisava refletir sobre eu mesma e o meu valor no mundo. De fato, somos únicos. Não somos como os outros, mas ao mesmo tempo estamos em todos os lugares e deixamos parte de nós em todos os lugares. Quando caminho, cada lugar que eu estive deixei um fragmento de mim e cada pessoa que passou por minha vida deixou sua impressão em mim, assim como eu tenho certeza que deixei nelas. Sempre me atenho na minha singularidade e em como me esforço para não ser levada junto ao rio de mesmices do mundo, mas nunca parei para notar que estou em todas as coisas.

Eu sou o céu que paira sobre minha cabeça, eu sou o chão que piso com passos pesados, eu sou o vento que embaraça meus cabelos e eu sou parte de um mundo que me move dia-a-dia e uma parte de mim também é uma engrenagem no mundo, além de ser essencial, eu só precisava ter consciência disso.

Então tenho a figura de Virginia Woolf. Ainda se mostra algo complexo de se entender, uma vez que não tenho tanto conhecimento da obra dela, mas sei um pouco de sua vida, talvez esse sonho seja um ponto de partida para me aproximar mais das obras dela.

Estar sobre aquela ponte com Virginia Woolf me fez ver como somos vastos e também como somos tão pequenos em relação ao mundo, são tantas metáforas complexas na cabeça, mas ao mesmo tempo entendíveis. Era preciso estar sobre a ponte, vendo o rio passar, só não posso deixar que as pedras dos meus bolsos me afundem nele, eu só preciso continuar caminhando com meus sapatos cor de caramelo.